domingo, 25 de outubro de 2009
Simples Nostalgia
O mar, o ar e a dor
O sol, o lar e a flor
Ao vento, lento, no relento
Soa brisa fresca e sem cor.
E o sentimento, que sentimento
Eu me lembro, sim,
Amor, o amor e a dor juntos
Num soneto, num verso,
Num para-choques de caminhão
Num caderno, nos olhos, no sorriso
Daquela paixão.
Ah! A canção, em vão, soa
Com graça na lapa, na laje da nação.
Ao vento, lento, no relento
Soa brisa fresca e sem cor.
Maria Monteiro
credo 0 comentários
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Sonho
No meio do mar gigante
sinos da cidade tocando.
As pessoas voando
O brilho do sol vindo de baixo,
Querendo se encontrar com a lua acima.
Acima das cabeças dos nadadores do vento.
E nunca se encontraram, jamais se tocaram
As luzes do sol e da lua, mesmo sedentos um pelo outro,
Porque o sol aparecia de noite e a lua apenas de dia.
E o velho da vez, a quem ninguém dava ouvidos, sussurrou
Qualquer coisa, mencionando da vida.
Lembro apenas de suas últimas palavras
'...de olhos fechados é mais fácil'
Não sei, e os sinos soavam mais forte e mais forte.
Embassada, a janela emanava luz fria do sol da manhã
Maria Monteiro
credo 0 comentários
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Ontem à Noite
Noite de 3/11/2009 e madrugada de 4/11/2009
Até as dez e pouco da noite a lua estava alaranjada e redonda como nunca. Não estava grande, como fica algumas vezes, estava apenas laranja e muito definida. Quando saí da aula e me deparei com essa beleza, encostei no carro e fiquei admirando-a por um tempo.
Entediada a uma da manhã, resolvi lavar os olhos que me irritavam desde cedo e já ardiam de tanto esfregá-los, desci as escadas pra tomar um copo d'água, olhei pela janela e saí para o quintal. Lá fora o chão parecia estar sendo iluminado por qualquer luz artificial, mas era a lua, agora, toda branca. As luzes da cidade podiam ser dispensadas nessa noite.
A sombra que a lua produzia de minhas mãos e das plantas era demasiadamente nítida. Olhá-la repentinamente chegava a doer os olhos, parecia um imenso holofote pendurado no céu.
A noite estava quente e mesmo sem nuvens, ao olhar para cima, o céu parecia opaco, como se houvesse uma fina camada de névoa. Muito provavelmente era a poluição da cidade sendo refletida pelas luzes e pelo luar. Mesmo assim era possível ver algumas estrelas, as constelações de Órion e do Cruzeiro do Sul estavam se destacando bem. Que felicidade foi ver aquilo.
Fiquei admirando aquele céu sei lá por quanto tempo, incontrolavelmente eu sorria sem sentir nenhum tipo de emoção e desapercebidamente algumas lágrimas caíram. O coração parecia não existir, não sentia nada, nem demasiada felicidade, nem angustia, nem tristeza, nada. Talvez a irritação dos olhos tenha ajudado, não importa, sei, apenas, que rolaram umas poucas delas.
Olhei para a piscina e parecia um espelho que refletia toda a lua. Sentei-me e brinquei com a água. Estava morna, que delícia. Resolvi deitar e fiquei alí por mais um tempo olhando a lua, órion, o cruzeiro, a piscina, o reflexo das ondas na parede ao lado. Que vontade de mergulhar. E o sorriso não se esgotava.
Lembrei-me que tinha largado meu cachorro no quarto, ele não podia perder aquilo, subi e o soltei. Pensei em abrir a gaiola da lora, mas já estava aberta. Acho que ela não quis nos acompanhar.
Peguei uma almofada do sofá da varanda e deitei novamente na beira da piscina e permaneci assim por mais meia hora, talvez, brincando com a água, fazendo as ondas, pra olhar seu reflexo na parede e olhando as estrelas.
Agora decidi sentar para sentir a água com os pés, que já ivenjavam minhas mãos. Até que, então, não me senti mais sozinha, o sorriso se foi. Parecia ter algo a trás do coqueiro, fiquei pensando mais uns minutos seriamente e levantei para acender a luz da churrasqueira para iluminar a parte escura. Não havia nada no coqueiro e depois vi que alí perto voava uma borboleta. Provavelmente se debatia de vez enquando nas folhas da árvore e devia haver mais de uma delas. Tranquilizei-me, apaguei a luz e sentei-me novamente com os pés n'água, mas desta vez fiquei assistindo o voar da borboleta sob a luz da lua, era inspirador, o sorriso voltou. Perdi a noção do tempo, esqueci-me de sua existencia.
Senti meu cachorro se aproximar, deitando-se ao meu lado, levantei e resolvi ir dormir.
Na cama, lembrei de quando era criança, de como eu fazia isso quase todas as noites, principalmente nas de lua cheia, de como ficava deitada na rede conversando com a lua. E me perguntei porque deixei esse encanto de lado, esquecendo que o céu ainda existia e da paz que a noite trazia.
Maria Monteiro
credo 0 comentários
domingo, 29 de novembro de 2009
Oferenda
Eu não tenho nada, nada dessas frases, nada dessas obras de arte
Eu não tenho nada, nada dessas ideias, nem inspirações
Mas alguma coisa a te oferecer um tenho
Não é nada de primeira mão, nem planejado, nada contado
É simplesmente o meu coração
Meu ombro amigo pra umas lagrimas
Um abraço inesperado e quem sabe uma palavra de consolação
Porque quando estou com você eu não vejo alguém, eu sinto além
Eu fico a vontade, sem nenhuma maldade
E tudo que quero de ti é um sorriso feliz, um abraço sincero.
Maria Monteiro
credo 0 comentários
sábado, 13 de março de 2010
Apenas isso:
Eu quero um braço pra segurar, uma flor pra ganhar, quero uma coberta e um leite quente depois de um dia de outono na terra do meu Brasil.
Maria Monteiro
credo 1 comentários
COMENTÁRIO: 1 comentários:
scentless apprentice disse...
bonito, pri. tá inspirada :)
quinta-feira, 18 de março de 2010
A Promessa - Engenheiros do Hawaii
"Não vejo nada, o que eu vejo não me agrada
Não ouço nada, o que eu ouço não diz nada
Perdi a conta das perolas e porcos que eu cruzei pela estrada
Estou ligado a cabo a tudo que acaba de acontecer
Propaganda é a arma do negócio
No nosso peito bate um alvo muito fácil
Mira a laser... miragem de consumo
Latas e litros de paz teleguiada
Estou ligado a cabo a tudo que eles tem pra oferecer
O céu é só uma promessa
Eu tenho pressa, vamos nessa direção
Atrás de um sol que nos aqueça, minha cabeça não aguenta mais
O céu é só uma promessa
Eu tenho pressa, vamos nessa direção
Atrás de um sol que nos aqueça, minha cabeça não aguenta mais
Tu me encontrastes de mãos vazias,
Eu te encontrei na contramão
Na hora exata, na encruzilhada
Na highway da superinformação
Estamos tão ligados, já não temos o que temer
O céu é só uma promessa
Eu tenho pressa, vamos nessa direção
Atrás de um sol que nos aqueça, minha cabeça não aguenta mais
O céu é só uma promessa
Eu tenho pressa, vamos nessa direção
Atrás de um sol que nos aqueça, minha cabeça não aguenta mais"
credo
Nenhum comentário:
Postar um comentário